
Gêneros textuais: identificando notícia e reportagem
Aula prática para diferenciar notícia e reportagem através de análise textual e comparação de estruturas.
Resumo rápido
| Ano escolar | 6º ano |
|---|---|
| Componente curricular | Língua Portuguesa |
| Duração estimada | 50 minutos |
| Etapas da aula | 5 etapas |
| Código(s) BNCC | EF67LP02 · EF67LP03 |
Alinhamento Curricular (BNCC)
Unidade temática
Análise linguística/semiótica
Objeto de conhecimento
Gêneros textuais: notícia e reportagem — características, estrutura e finalidade
EF67LP02 — Explorar o espaço reservado para a opinião do leitor nos jornais, revistas, impressos e digitais (cartas do leitor, comentários em sites e redes sociais etc.). EF67LP03 — Comparar informações sobre um mesmo fato divulgadas em diferentes mídias e identificar especificidades quanto ao enfoque, à forma de apresentação e à profundidade do tratamento do tema.
Competências gerais da BNCC trabalhadas
Feito pela Equipe Escolas Disruptivas.
Conhecimentos prévios necessários
Os alunos precisam reconhecer o conceito básico de texto, identificar partes simples de um artigo de jornal (título, corpo do texto) e ter familiaridade com diferentes tipos de fonte de informação, como jornais impressos ou digitais.
Objetivos de aprendizagem
Capacitar os alunos a identificar e diferenciar os gêneros textuais notícia e reportagem mediante análise de suas características estruturais, propósito comunicativo e forma de apresentação de informações.
Identificar as características principais de uma notícia e de uma reportagem
Reconhecer diferenças na estrutura, extensão e abordagem entre os dois gêneros
Analisar criticamente como cada gênero apresenta informações e constrói sentido
Aplicar conhecimento sobre gêneros textuais em situações práticas de leitura e interpretação
Materiais necessários

Passo a passo da aula
Introdução: Sensibilização e ativação de conhecimentos prévios
8 minutosO professor inicia a aula questionando os alunos sobre suas experiências com leitura de notícias: "Vocês acessam notícias? Em quais plataformas? Como vocês as encontram?". Deixa que compartilhem experiências brevemente (2-3 falas). Em seguida, apresenta visualmente dois textos diferentes sobre um mesmo tema (por exemplo, um evento local, uma descoberta científica ou um assunto atual de interesse dos adolescentes) sem ainda revelar que pertencem a gêneros diferentes. Projeta ou distribui os textos e convida os alunos a observar: tamanho dos textos, quantidade de detalhes, se há depoimentos de pessoas, se há apenas os fatos principais. O objetivo nesta fase é gerar curiosidade e observação espontânea das diferenças, preparando o terreno para a categorização que virá a seguir.
Desenvolvimento 1: Caracterização da notícia
12 minutosO professor apresenta formalmente o primeiro gênero: a notícia. Explica que notícia é um texto jornalístico que tem como objetivo informar, de forma breve e objetiva, um fato novo ou recente. Apresenta a estrutura clássica: título chamativo, lide (parágrafo inicial que responde às perguntas: o quê, quem, quando, onde, por quê e como), e corpo do texto com informações complementares em ordem decrescente de importância. Distribui ou projeta um exemplo de notícia e, junto com os alunos, identifica cada uma dessas partes no texto real. O professor marca no texto as palavras-chave, destaca o lide em uma cor diferente e mostra onde estão as respostas às perguntas-chave. Convida alunos a lerem o lide em voz alta e pergunta: "Este parágrafo sozinho já nos dá a ideia geral do que aconteceu?". Orienta que a notícia é mais curta, não traz comentários pessoais do jornalista, e visa atender a quem quer informação rápida.
Desenvolvimento 2: Caracterização da reportagem
12 minutosPassa-se então para a reportagem. O professor explica que reportagem é um texto jornalístico mais aprofundado e completo que busca contar a história por trás de um fato, oferecendo contexto, detalhes, depoimentos de pessoas envolvidas e análise. A estrutura é menos padronizada que a notícia; pode ter apresentação mais criativa, títulos e subtítulos variados, e geralmente é bem mais longa. Apresenta um exemplo de reportagem, idealmente sobre o mesmo tema (ou similar) à notícia vista anteriormente. Junto com a turma, identifica: há quantas pessoas foram entrevistadas? Quantos parágrafos há? Há descrições detalhadas de lugares ou situações? Há contexto histórico ou explicações de fundo? O professor marca essas características, destacando depoimentos com uma cor diferente e observações contextuais com outra. Coloca lado a lado (se possível, projetados) o lide da notícia e a introdução da reportagem sobre o mesmo assunto e questiona: qual delas traz mais detalhes? Qual é mais direta?
Desenvolvimento 3: Comparação prática e atividade colaborativa
14 minutosO professor distribui uma tabela comparativa impressa ou desenha na lousa com as seguintes linhas: Extensão, Objetivo, Estrutura, Uso de depoimentos/entrevistas, Tempo de produção, Estilo de linguagem. Pede que os alunos, em pequenos grupos (duplas ou trios), preencham a tabela com base nos dois textos que analisaram nas etapas anteriores. Circula entre os grupos, fazendo perguntas provocativas: "Por que vocês acham que a reportagem tem mais depoimentos?", "Qual dos dois textos vocês lêem quando estão com pressa?", "Se vocês fossem produzir um texto para informar sobre algo novo na escola, qual gênero escolheriam e por quê?". Após 8-10 minutos, reúne a turma novamente e constrói coletivamente na lousa uma tabela grande e consensual com as respostas. O professor valida as respostas e esclarece eventuais dúvidas ou imprecisões. Reforça que ambos os gêneros são válidos e essenciais; a diferença está na intenção e no tipo de leitor para o qual se escreve.
Fechamento: Aplicação prática e síntese
4 minutosPara fechar a aula, o professor propõe um desafio rápido: mostra um texto novo (ou breve trecho) sobre um tema contemporâneo e pede que a turma vote ou levante a mão indicando se é notícia ou reportagem e justifique em poucas palavras. Isso reforça a identificação imediata. Em seguida, sintetiza os aprendizados principais: "Vocês aprenderam que notícia informa rápido e objetivo, enquanto reportagem traz a história completa com detalhes e depoimentos. Os dois gêneros são fundamentais para estar informado no mundo". Propõe a atividade de extensão (ver campo específico) e convida que nas próximas semanas observe notícias e reportagens em seus jornais ou redes sociais preferidas com esse novo olhar.
Diferenciação e inclusão
Para alunos que apresentam dificuldades de leitura ou compreensão, o professor pode fornecer textos mais curtos ou versões simplificadas mantendo as características principais dos gêneros, além de usar imagens ou vídeos de notícias e reportagens em formato multimídia para facilitar o acesso à informação. Alunos com leitura avançada ou maiores ritmos podem ser desafiados a procurar na internet uma notícia e uma reportagem sobre o mesmo tema (tarefa para casa com prazo estendido) e trazer a análise comparativa já pronta. Alunos com deficiência auditiva podem trabalhar com textos visuais impressos e contar com apoio de um intérprete de Libras ou resumos escritos das falas do professor. Alunos com déficit de atenção ou TDAH se beneficiam de instruções em etapas curtas e mudança de atividade entre leitura, escrita e discussão oral para manter engajamento. A tabela comparativa pode ser fornecida já estruturada (com perguntas-guia) para reduzir a ansiedade de organização autônoma.
Como avaliar
A avaliação é realizada em três momentos complementares. Primeiro, durante a observação participante: o professor circula nos grupos na Etapa 3 e verifica se os alunos conseguem preencher a tabela comparativa com respostas coerentes, mesmo que não perfeitas. Segundo, no desafio final da Etapa 4, observa se o aluno consegue identificar e justificar corretamente o gênero de um texto novo. Terceiro, mediante uma breve conversa ou registro escrito opcional no final (pergunta: "Qual é a maior diferença que você aprendeu entre notícia e reportagem?") que permite inferir se o conceito foi consolidado. O professor também avalia por meio de perguntas dirigidas durante a aula: respostas incompletas ou confusas indicam necessidade de retomada em momento posterior ou em atendimento individualizado. Não se busca perfeição, mas compreensão funcional que permita ao aluno ler criticamente e diferenciar gêneros em situações reais.
| Critério | O que observar |
|---|---|
| Identificação de características estruturais | Aluno nomeia corretamente elementos como lide, título e depoimentos ao analisar um texto novo |
| Diferenciação funcional entre gêneros | Aluno distingue notícia de reportagem e justifica diferença com base em estrutura, extensão ou objetivo comunicativo |
| Engajamento em atividades colaborativas | Aluno participa ativamente do preenchimento da tabela ou do desafio final, contribuindo com observações ou questionamentos pertinentes |
| Compreensão crítica e aplicação prática | Aluno consegue selecionar ou produzir notícia ou reportagem adequada a uma situação comunicativa específica proposta |
Atividade de extensão
Para aprofundamento, solicite aos alunos que tragam recortados (impresso) ou links de uma notícia e uma reportagem sobre o mesmo assunto encontradas em jornais ou portais de notícias. Na aula seguinte, em pequenos grupos, comparam e apresentam oralmente as diferenças identificadas. Alternativamente, proponha que os alunos produzam uma breve notícia e uma reportagem sobre um evento escolar recente (ex: festa junina, apresentação de projeto), vivenciando na prática como cada gênero aborda o mesmo fato.
Conexões interdisciplinares
Este trabalho sobre gêneros textuais articula-se fortemente com História e Geografia ao analisar notícias e reportagens que falam de eventos históricos, conflitos sociais ou mudanças geográficas. Professores dessas disciplinas podem trazer para suas aulas textos jornalísticos como fontes primárias, permitindo que os alunos identifiquem o gênero e compreendam como a mídia constrói narrativas sobre eventos reais. Também conecta com Educação Financeira e Empreendedorismo se houver análise de notícias econômicas ou reportagens sobre negócios. A disciplina de Ciências pode beneficiar-se ao trabalhar com notícias e reportagens sobre descobertas científicas, meio ambiente ou saúde pública, desenvolvendo senso crítico sobre comunicação científica. Além disso, a habilidade de diferenciar gêneros textuais e identificar viés ou qualidade de informação é essencial para a Educação Midiática e Literacia Digital, temas transversais que permeiam todas as disciplinas no currículo contemporâneo.
Para saber mais
A abordagem de ensino de gêneros textuais fundamenta-se na compreensão de que a linguagem não é apenas um sistema isolado de regras, mas um fenômeno social atravessado por intenções comunicativas concretas. Notícia e reportagem são exemplos claros: existem porque há necessidades reais de informação na sociedade e leitores específicos que demandam rapidez (notícia) ou profundidade (reportagem). Trabalhar com gêneros reais, não apenas com fragmentos descontextualizados, aumenta significativamente a motivação e a relevância para adolescentes, pois conecta aprendizado escolar com práticas vividas fora da sala de aula. Além disso, ao comparar dois gêneros próximos, o aluno exercita pensamento crítico e analítico, desenvolvendo capacidade de questionar: como a escolha do gênero afeta a interpretação? Quem se beneficia de uma abordagem mais rápida versus mais aprofundada? Essas questões abrem caminhos para literacia midiática e responsabilidade cívica — competências cada vez mais necessárias em um mundo saturado de informações.
Referências: BNCC (Base Nacional Comum Curricular, 2018)
Perguntas frequentes sobre esta aula
Como eu adapto a aula se não encontrar dois textos sobre o mesmo fato?+
Você pode usar textos sobre temas próximos (ex: dois eventos de esportes diferentes, ou dois assuntos científicos). O importante é que os alunos vejam a diferença de estrutura e abordagem. Alternativa: crie você mesmo um pequeno texto adaptando uma notícia para o formato de reportagem ou vice-versa, para demonstrar como muda apenas a abordagem.
Quanto tempo devo dedicar ao preenchimento da tabela comparativa?+
Reserve 8-10 minutos para o trabalho em grupos. Se notar que estão tendo dificuldade, interrompa em 8 minutos e conclua coletivamente na lousa. Não se prenda ao tempo se a compreensão está evidente; qualidade da compreensão supera cumprimento rigoroso do cronograma.
E se alguns alunos não conseguirem diferenciar ou ficarem confusos?+
Isso é normal no primeiro contato. Reforce que a diferença principal é: notícia = fato rápido e objetivo; reportagem = história com detalhes e depoimentos. Retire dúvidas em atendimento individual ou retome o exemplo visual na aula seguinte antes de propor atividades práticas.
Posso fazer essa aula totalmente digital?+
Sim. Use um Google Classroom com textos de jornais digitais (Folha, G1, UOL), slides com exemplos projetados, e a tabela comparativa em documento compartilhado editável em tempo real. Estudos de caso podem ser enviados por e-mail ou postados em fórum.
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