Instrumentos sonoros: crianças bem pequenas em roda na creche com chocalhos feitos de garrafas plásticas
ArteCreche 35 minutos

Criando nossos próprios instrumentos sonoros

Crianças bem pequenas exploram sons e ritmos criando instrumentos com materiais simples do cotidiano.

Compartilhar com outro professor

Resumo rápido

Ano escolarCreche
Componente curricularArte
Duração estimada35 minutos
Etapas da aula5 etapas
Código(s) BNCCEI02TS02 · EI02TS03

Alinhamento Curricular (BNCC)

Unidade temática

Traços sons cores e formas

Objeto de conhecimento

Exploração de sons e criação de instrumentos sonoros com materiais simples

EI02TS02EI02TS03

Utilizar materiais variados com possibilidades de manipulação (argolas, tecidos, cordas) para descobrir sons; criar e experimentar sons variados com o corpo, com materiais e com instrumentos sonoros simples.

Competências gerais da BNCC trabalhadas

2 — Pensamento científico, crítico e criativo4 — Comunicação3 — Repertório cultural

Feito pela Equipe Escolas Disruptivas.

Conhecimentos prévios necessários

As crianças já devem ter explorado sons corporais simples (palmas, batidas) e manipulado objetos do dia a dia. Familiaridade com sequências de atividades rotineiras em sala de aula é importante para que entendam a proposta de trabalho.

Objetivos de aprendizagem

Que as crianças bem pequenas criem seus próprios instrumentos sonoros e explorem a produção de sons através da manipulação livre de materiais, desenvolvendo curiosidade, criatividade e expressão musical.

Explorar e descobrir diferentes sons produzidos por materiais do cotidiano

Criar instrumentos sonoros simples utilizando materiais seguros e acessíveis

Expressar-se através da linguagem sonora e do ritmo

Desenvolver coordenação motora fina ao manipular materiais de diferentes texturas

Materiais necessários

Garrafas plásticas pequenas e vazias (com tampas seguras)Grãos secos: arroz, feijão, milho (em pequenas quantidades, acondicionados em sacos pequenos fechados)Latas de alumínio vazias (sem rebarbas, bem lixadas)Colheres de plástico ou madeiraTubos de papel higiênico ou papel toalhaFita adesiva colorida ou fita crepeCorda ou barbantePotes de plástico com tampasGuizos ou sinetas pequenas (opcional)Fundo de meia velha (como envoltório para instrumentos)Toalhas pequenas para proteção do chãoCaixas de papelão pequenas (como caixas de sapato)
Detalhes de instrumento sonoro caseiro: garrafa plástica com grãos e fita colorida nas mãos de criança pequena

Passo a passo da aula

1

Introdução — Escuta e exploração de sons ao redor

5 minutos

O professor cria um momento de escuta atenta convidando as crianças a sentarem em roda. Pede para que fechem os olhos por alguns segundos e escutem todos os sons ao seu redor: barulho da rua, vento, vozes, som do relógio. Depois, produz sons simples com seu corpo (palmas, estalos de dedos, batidinhas no peito) e convida as crianças a imitarem juntas, criando uma exploração lúdica. O objetivo é despertar a curiosidade sobre como sons são feitos e como diferentes movimentos e materiais criam sons distintos. Essa etapa é crucial para engajar os pequenos e criar uma atmosfera de exploração sensorial.

2

Desenvolvimento 1 — Demonstração e exploração livre de materiais

8 minutos

O professor apresenta um material por vez de forma bem visível e acessível. Começa com uma garrafa plástica, bate levemente, faz barulhos, vira, agita. As crianças imitam. Depois apresenta uma lata de alumínio e explora sons diferentes com colher. Cada criança recebe um material para tocar, bater, agitar e explorar livremente, sempre sob supervisão atenta. Nesse momento, não há certo ou errado — trata-se de descoberta sensorial. O professor circula observando, nomeando os sons (sons graves, sons agudos, sons rápidos, sons lentos) e incentivando a manipulação segura. Materiais perigosos (guizos muito pequenos ou objetos pontiagudos) são mantidos na mão do professor para demonstração apenas.

3

Desenvolvimento 2 — Montagem conjunta de instrumentos sonoros

12 minutos

Cada criança recebe uma garrafa plástica limpa com tampa bem fechada. O professor oferece uma pequena quantidade de um material (arroz, feijão ou milho) em um pote. As crianças colocam o grão dentro da garrafa com ajuda do professor, que coloca um funil (ou faz com papelaria mesmo) para facilitar. Depois, a garrafa é lacrada com fita colorida para garantir segurança. Enquanto aguarda a vez de colocar o grão, a criança pode decorar a garrafa com adesivos ou desenhos com giz de cera (opcional). Durante essa montagem, o professor conversa sobre o que está acontecendo: 'Você colocou arroz! Isso faz um som diferente do feijão'. Cada criança termina com seu próprio chocalho personalizado. O processo de criar o instrumento é tão importante quanto o resultado final, pois engaja motor fino e compreensão de causa-efeito.

4

Desenvolvimento 3 — Exploração musical conjunta e livre

7 minutos

Com seus instrumentos prontos, as crianças formam novamente uma roda. O professor toca uma música infantil simples (conhecida ou não) e as crianças tocam seus chocalhos acompanhando o ritmo. O professor também pode fazer variar: toca rápido, depois devagar, e as crianças imitam o tempo. Depois, cada criança tem 1-2 minutos para explorar seu instrumento sozinha, criando seus próprios sons e ritmos enquanto o professor observa e valida: 'Que som bonito você fez!'. Isso incentiva autoexpressão e confiança. Finalmente, todas tocam juntas criando uma 'orquestra' de sons únicos. Crianças que ficarem tímidas ou desconfortáveis são convidadas a apenas ouvir, sem obrigação de participar ativamente.

5

Fechamento — Reflexão sensorial e guarda dos instrumentos

3 minutos

O professor reúne a turma e faz perguntas simples para reflexão: 'Que som você mais gostou de ouvir?', 'Como você fez barulho?', 'Qual instrumento faz som diferente?'. As crianças respondem com palavras, gestos ou apontando. O professor valoriza todas as respostas. Depois, os instrumentos são colocados em um local seguro (caixa, cesto ou prateleira acessível), e o professor anuncia que podem brincar com eles novamente amanhã. Isso cria continuidade e expectativa. Finalmente, o professor faz uma última exploração sonora calma: toca os instrumentos bem baixinho enquanto as crianças ouvem deitadas ou sentadas comodamente, encerrando com uma atividade relaxante que marca o fim do trabalho musical.

Diferenciação e inclusão

Para crianças com sensibilidade auditiva aumentada, ofereça a possibilidade de explorar os sons com mais distância ou usando protetores de ouvido soft. Se uma criança tiver dificuldade motora para colocar grãos na garrafa, o professor faz essa etapa ou oferece grãos maiores (como milho de pipoca) que são mais fáceis de manipular. Para crianças que preferem observação, permita que fiquem próximas mas sem obrigação de tocar, validando essa forma de participação. Se houver criança não falante ou com dificuldade de comunicação, use gestos, apontamentos e expressões corporais para a reflexão final, e observe sua participação através do interesse, manipulação dos materiais e mudanças de expressão facial. Crianças muito agitadas podem explorar sons em um espaço separado com um adulto, longe do grupo maior. Todos os materiais oferecidos devem estar de acordo com a idade (sem peças pequenas soltas, sem rebarbas, sem materiais tóxicos), seguindo as normas de segurança para berçário e maternal.

Como avaliar

A avaliação é contínua e observacional. O professor observa se a criança está explorando diferentes maneiras de produzir sons (agitando, batendo, virando), se manipula os materiais com segurança, se consegue colocar grãos dentro da garrafa (evidência de coordenação e compreensão da atividade) e se responde positivamente aos sons criados (sorrindo, experimentando novamente, pedindo para fazer de novo). Também é importante verificar se a criança se expressa de alguma forma durante a exploração — seja através de sons vocais, gestos, ou movimento corporal. Não se espera que todas as crianças toquem 'corretamente' ou em ritmo; o esperado é que explorem, experimentem e mostrem curiosidade. O registro pode ser feito através de observação anotada, fotografia ou vídeo curto (com autorização de responsáveis), capturando momentos de engajamento e criatividade. A participação em grupo e a capacidade de ouvir o outro também são indicadores importantes do desenvolvimento socioemocional.

CritérioO que observar
Exploração de sonsA criança agita, bate, vira o instrumento buscando produzir sons variados.
Coordenação motora finaA criança consegue manipular o material de forma segura e com intenção (apontando, segurando, colocando grão dentro).
Expressão criativaA criança sorri, canta junto, move o corpo acompanhando o ritmo ou experimenta seus próprios sons sem constrangimento.
Participação socialA criança ouve a música do grupo, faz contato visual com colegas ou o professor, e toca seu instrumento junto com os outros.

Atividade de extensão

Nos dias seguintes, ofereça outros materiais para criar novos instrumentos (tubos de papel com papel secante esticado, potes com tampas, caixas de papelão com elásticos). Proponha uma 'apresentação musical' para os pais ou outra turma onde as crianças tocam seus instrumentos. Reserve um tempo semanal de 'música livre' onde os instrumentos criados ficam disponíveis para exploração espontânea.

Conexões interdisciplinares

Esta aula conecta-se diretamente com 'Corpo gestos e movimentos' (EI02CG01, EI02CG02), pois as crianças movem braços, mãos e todo o corpo para produzir sons e acompanhar ritmos. Também dialoga com 'O eu o outro e o nós' (EI02EO03), porque a exploração musical em roda e a apreciação dos sons criados pelos colegas fortalecem a coletividade e a empatia. Com 'Escuta fala pensamento e imaginação' (EI02EF01, EI02EF02), pois a produção de sons é uma forma de linguagem e expressão criativa. Relaciona-se ainda com 'Espaços tempos quantidades relações e transformações' (EI02ET02, EI02ET07), ao explorar causa e efeito (o grão dentro causa som), reconhecer padrões rítmicos e experimentar noções de velocidade e intensidade de som. Desde o ponto de vista multidisciplinar, fomenta o desenvolvimento de linguagem (ampliação de vocabulário sobre sons), motricidade (coordenação motora fina), cognição (compreensão de causa-efeito) e bem-estar emocional (expressão, criatividade e autoconfiança).

Para saber mais

A exploração sonora e a criação de instrumentos são estratégias pedagógicas fundamentais na Educação Infantil porque privilegiam a aprendizagem multissensorial, essencial para crianças bem pequenas. Nessa faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses), o desenvolvimento se dá através da experiência direta e da manipulação de objetos — não através de instrução verbal. Ao criar seus próprios instrumentos, a criança vivencia os conceitos de causa-efeito (agitação produz som), compreende propriedades de materiais diferentes (arroz soa diferente de feijão) e desenvolve autonomia criativa. A música e os sons oferecem um canal poderoso de expressão não verbal, particularmente importante para crianças que ainda estão desenvolvendo a fala. Além disso, atividades musicais coletivas fortalecem senso de grupo, escuta mútua e coordenação social — pilares do desenvolvimento socioemocional. O foco em materiais simples e seguros garante que a exploração seja acessível a todas as crianças, independentemente de condições socioeconômicas, e que priorize a experiência sensorial em detrimento do resultado estético final.

Referências: BNCC (Base Nacional Comum Curricular, 2018) — Educação Infantil, Campo de Experiência 'Traços sons cores e formas'

Perguntas frequentes sobre esta aula

Como garantir que os grãos dentro da garrafa não se tornem um risco de asfixia?+

Lacre a garrafa muito bem com fita colorida forte após colocar o grão. Verifique a integridade antes de cada uso. Nunca ofereça grãos soltos. Supervisione constantemente. Se houver criança com hábito de colocar tudo na boca, use grãos bem maiores (milho de pipoca) ou substitua por papel amassado. Inspecione o instrumento regularmente.

E se algumas crianças ficarem assustadas com os sons altos?+

Respeite o ritmo de cada criança. Ofereça a opção de explorar sons mais baixos ou com distância maior. Permita que fiquem próximas sem obrigação de tocar. Normalize o som: 'Sons fortes são só ar movimentando!' Crianças sensíveis frequentemente se adaptam quando veem o adulto modelar calma e segurança. Nunca force participação.

Quanto tempo leva para as crianças montarem sozinhas seus instrumentos?+

Para essa faixa etária, espere 8-12 minutos com ajuda significativa do professor. Crianças bem pequenas precisam que o adulto segure a garrafa, guie a mão ao despejar grão e feche bem a tampa. Isso é parte da atividade, não algo a acelerar. Se o tempo acabar, termine você e continue em outra oportunidade. Qualidade > velocidade.

Posso fazer essa aula ao ar livre?+

Sim! Ao ar livre funciona muito bem. Sons naturais (vento, pássaros) enriquecem a exploração. Use fita adesiva própria para clima. Proteja materiais de respingos se tiver água próxima. A roda fica melhor no chão. Crianças se movem mais, o que favorece a expressão musical corporal. Ótima adaptação para dias quentes.

Como adaptar se não tiver grãos secos disponíveis?+

Use papel amassado pequeno (guardanapo, jornal), miçangas coloridas já perfuradas, bolinhas de espuma, tecido picado ou até água com um pouco de óleo colorido (cápsula segura). O importante é que o material se mova dentro da garrafa e produza som. Teste antes para garantir segurança e qualidade sonora.

Planos de aula relacionados