
Música com Instrumentos Caseiros para Crianças Bem Pequenas
Exploração sensorial de sons e ritmos usando objetos do dia a dia, estimulando expressão musical e desenvolvimento auditivo.
Resumo rápido
| Ano escolar | Creche |
|---|---|
| Componente curricular | Arte |
| Duração estimada | 30 minutos |
| Etapas da aula | 5 etapas |
| Código(s) BNCC | EI02TS02 · EI02TS03 · EI02EF01 |
Alinhamento Curricular (BNCC)
Unidade temática
Traços, Sons, Cores e Formas
Objeto de conhecimento
Exploração de sons, ritmos e materiais sonoros em contextos de brincadeira e produção musical
Utilizar materiais variados com possibilidades de manipulação (argolas, correntes, panos, garrafas, etc.) para criar objetos decorativos e funcionais. Expressar-se livremente por meio de desenho, pintura, escultura e outras formas de expressão, fazendo uso responsável de materiais, instrumentos, espaços e mobiliário. Dialogar com crianças e adultos expressando seus desejos, dúvidas, sentimentos e ideias.
Competências gerais da BNCC trabalhadas
Feito pela Equipe Escolas Disruptivas.
Conhecimentos prévios necessários
Crianças bem pequenas já exploram objetos colocando-os na boca, agitando-os e deixando-os cair. Têm interesse crescente em sons e começam a imitar sons simples. É esperado que reconheçam nomes de objetos comuns do cotidiano.
Objetivos de aprendizagem
Explorar sons e ritmos usando instrumentos caseiros para estimular expressão musical, desenvolvimento auditivo e coordenação motora grossa e fina.
Produzir sons variados com objetos do dia a dia e descobrir suas qualidades sonoras
Experienciar ritmos simples seguindo estímulos sonoros do professor e de colegas
Expressar-se corporalmente ao ouvir diferentes sons e ritmos produzidos
Desenvolver coordenação motora ao manipular instrumentos caseiros de forma segura
Materiais necessários

Passo a passo da aula
Introdução — Despertar a Curiosidade Sensorial
5 minutosO professor cumprimenta as crianças em roda, sentado no chão ou em almofadas baixas para ficar no nível dos olhos delas. Com gestos lentos e exagerados, apresenta um instrumento caseiro (por exemplo, uma garrafa com arroz) de forma dramática, sacudindo-a lentamente perto do ouvido, convidando as crianças a ouvirem. Faz sons suaves e progressivamente mais altos. Convida cada criança a explorar o instrumento (se quiser), deixando-a agitar, observar, colocar perto do ouvido e descobrir o som sozinha. O professor não força participação, apenas oferece oportunidade. O objetivo é despertar a curiosidade pelo som de forma lúdica, sem pressão, permitindo que crianças bem pequenas, que têm atenção fragmentária, se interessem naturalmente.
Desenvolvimento 1 — Exploração Livre de Instrumentos Caseiros
10 minutosO professor distribui diferentes instrumentos caseiros já preparados e seguros (garrafas com diversos materiais, potes, colheres, caixas) sobre o chão, em um círculo aberto. Cada criança é convidada a escolher um instrumento ou explorar vários na sequência. O professor não direciona como tocar; apenas observa e nomeia o que observa: 'Você está fazendo um som de chocalho!' ou 'Que legal, está arranhando a caixa!' Enquanto exploram, o professor caminha entre as crianças, validando suas descobertas com expressões faciais alegres e palavras de encorajamento. Algumas crianças podem colocar objetos na boca (normal nessa faixa etária); o professor redirecion levemente, oferecendo outro acesso se necessário. A liberdade de exploração sem instrução é fundamental para crianças bem pequenas aprenderem pelo brincar e descoberta.
Desenvolvimento 2 — Jogo de Ritmo e Movimento
8 minutosApós a exploração livre, o professor retoma os instrumentos e propõe um jogo simples de ritmo. Senta-se em frente ao grupo e começa a fazer um padrão rítmico repetitivo com um instrumento: som-som, pausa, som-som, pausa (ou 'tum-tum-tum' batendo uma colher em uma panela). Deixa a combinação repetir algumas vezes para que as crianças percebam o padrão. Convida-as a acompanhar com seus instrumentos, sem exigência de sincronização perfeita. Enquanto o ritmo toca, o professor faz movimentos corporais simples: balança o corpo, levanta os braços, mexe os pés. As crianças são naturalmente atraídas a imitar o movimento enquanto tocam. O professor varia o ritmo (mais rápido, mais lento) e o tipo de som (bater, sacudir, arrastar), mantendo a atividade lúdica e dinâmica. Crianças que não tocam, mas dançam ou apenas observam, também estão participando ativamente de seu nível de conforto.
Desenvolvimento 3 — Construção Coletiva de Som
5 minutosO professor convida o grupo a fazer um 'concerto' simples. Alguns instrumentos são distribuídos novamente, e o professor começa a fazer seu som. Aos poucos, convida cada criança ou dupla a se juntar, adicionando seu som ao conjunto. A ideia não é harmonia perfeita, mas a experiência colaborativa de criar som junto. O professor pode elevar as mãos para indicar 'parar todos' e baixá-las para 'começar todos' ou simplesmente deixar a experiência acontecer de forma orgânica. Crianças observam e aprendem também através dos pares. O professor constantemente reforça: 'Que legal! Todos fazendo som junto!' Essa dinâmica desenvolve empatia, comunicação não-verbal e senso de pertencimento a um grupo, fundamentais nessa faixa etária.
Fechamento — Reflexão Sensorial e Despedida
2 minutosO professor recolhe lentamente os instrumentos enquanto as crianças observam ou ajudam. Senta-se novamente em roda e faz uma última exploração sonora muito quieta: pega um instrumento e faz o som mais suave e lento possível, convidando crianças a ouvir com atenção. Pode também colocar uma das mãos sobre o coração e a outra sobre a orelha, modelo não-verbal de 'sentir o som dentro de si'. Diz palavras simples e calorosas: 'Que dia legal, cheio de sons bonitos! Obrigado por brincar comigo.' Algumas crianças podem sair brincando com o som da voz, outras podem querer um último instrumento: tudo é válido. O objetivo é trazer calma antes da transição e deixar uma memória positiva associada à música.
Diferenciação e inclusão
Para crianças com atraso motor, ofereça instrumentos mais leves e fáceis de manipular (garrafas pequenas com furos para apreensão segura). Para crianças com hipersensibilidade auditiva, deixe disponível um espaço mais silencioso de observação e permita que vejam sem estar cercadas de barulho; apresente sons mais suaves primeiramente. Para crianças com deficiência visual, enfatize texturas dos instrumentos, sons produzidos e a proximidade física segura (permitir tocar as mãos do professor enquanto toca). Para crianças não-oralistas ou com dificuldades comunicativas, use gestos amplos, expressões faciais exageradas e valide a participação através do movimento corporal e da reação corporal aos sons. Para crianças mais tímidas, permita observação sem pressão de participação direta; a aprendizagem observacional é legítima nessa faixa etária. Todos os instrumentos devem estar seguros, sem partes que possam se soltar, e devem estar sob supervisão constante, respeitando características individuais de cada criança.
Como avaliar
A avaliação ocorre por observação contínua e registro anedótico (professor anota breves observações sobre como cada criança interagiu durante a aula). Observe: (1) Se a criança explorou sons e instrumentos com curiosidade e engajamento, mesmo que passivo (tocando, observando atentamente, movimentando-se perto de instrumentos); (2) Se respondeu corporalmente aos sons (dançou, balançou, moveu braços/pernas ou cabeça); (3) Se tentou produzir som manipulando um instrumento, mesmo que de forma não-intencional; (4) Se mostrou prazer ou interesse pelo que ocorria (sorriu, olhou para o professor, repetiu ações). Não há resposta 'certa' ou 'errada'. Crianças bem pequenas aprendem em ritmos muito diferentes; alguns participam ativamente, outros precisam de mais observação. Registre o que viu e use essas anotações para personalizar futuras aulas e comunicar aos pais o que sua criança está desenvolvendo. Fotos ou vídeos curtos (com permissão) também documentam engajamento de forma rica.
| Critério | O que observar |
|---|---|
| Exploração de instrumentos | Criança manipula, agita, bate ou toca instrumentos com curiosidade e interesse, demonstrando engajamento sensorial. |
| Resposta corporal aos sons | Criança movimenta o corpo (dança, balança, levanta braços, bate pés) em resposta aos sons produzidos pelo professor ou por si mesma. |
| Produção intencional de som | Criança segura instrumento e tenta produzir som através de ação motora (sacudir, bater, arrastar), mesmo que não coordenado perfeitamente. |
| Indicadores de prazer e interesse | Criança sorri, olha para o professor, repete ações, permanece engajada e pede para fazer novamente ou explorar mais instrumentos. |
Atividade de extensão
Prepare um 'kit de sons caseiros' para levar para casa: uma garrafa pequena com arroz (bem lacrada com fita), instruções para os pais explorarem sons simples juntos e um papel colorido pedindo que tragam de volta um objeto que faz som em casa. Na aula seguinte, crie um círculo onde cada criança (com ajuda de pais) apresenta seu som novo, ampliando o repertório sonoro coletivo e conectando aprendizagem em casa e escola.
Conexões interdisciplinares
A atividade conecta-se a 'Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação' (campo de experiência EI02EF) através do diálogo constante sobre os sons e da ampliação de vocabulário auditivo (som grave, agudo, alto, baixo, suave). Conecta-se a 'Corpo, Gestos e Movimentos' (EI02CG) uma vez que crianças dançam, balançam e exploram o corpo em resposta aos sons, desenvolvendo coordenação e consciência corporal. Conecta-se a 'O Eu, o Outro e o Nós' (EI02EO) pela colaboração no 'concerto' coletivo, imitação de pares e partilha de espaço e instrumentos, construindo relações sociais positivas. Pode-se ainda explorar 'Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações' (EI02ET) ao reconhecer que diferentes objetos produzem sons diferentes (causa e efeito) e que o som muda conforme a força ou velocidade do movimento. Uma conexão posterior com Ciências pode investigar por que objetos fazem sons diferentes ou com Educação Física podem explorar dança ao som de instrumentos caseiros.
Para saber mais
A exploração sonora em crianças bem pequenas é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, emocional e motor. Nessa faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses), o brincar é o principal meio de aprendizagem; atividades estruturadas com liberdade de exploração permitem que a criança descubra relações de causa-efeito (agito = som), desenvolva conceitos musicais básicos (ritmo, timbre, altura) de forma intuitiva, e construa confiança em sua capacidade criativa. Instrumentos caseiros são particularmente valiosos porque são seguros quando bem selecionados, economicamente acessíveis para que famílias possam replicar em casa, e facilitam a conexão entre aprendizagem escolar e contexto familiar. A música reduz ansiedade, promove vinculação social e é linguagem universal que transcende barreiras comunicativas, tornando-a inclusiva por natureza. Professores que valorizam a exploração livre sem julgamento criam ambientes onde crianças se sentem seguras para expressar-se, aspecto essencial do bem-estar emocional nessa fase.
Referências: BNCC (Base Nacional Comum Curricular, 2018)
Perguntas frequentes sobre esta aula
Como garantir segurança com garrafas plásticas preenchidas se uma criança conseguir abrir?+
Sempre lacre as garrafas com fita adesiva colorida dupla camada ou super glue na tampa. Nunca deixe criança sem supervisão com instrumentos. Inspecione diariamente se há sinais de abertura. Para crianças que puxam muito, use garrafas de plástico rígido e já transparentes (não coloque nada dentro). Panos, caixas e colheres são alternativas seguras sem risco de soltar objetos.
E se algumas crianças quiserem colocar o instrumento na boca? Isso é permitido?+
Nessa faixa etária, explorar com a boca é normal (fase oral). Redirecione levemente: 'Sons é para ouvir, não para comer. Vamos ouvir?' Ofereça chupeta ou brinquedo de dentição se necessário. Mantenha instrumentos limpos. Se a criança insistir, troque por objeto seguro para exploração oral ou aumente supervisão. Não é 'desobediência'; é desenvolvimento.
Como proceder se uma criança não quer participar ou quer sair da roda?+
Permita saída sem culpa. Crianças bem pequenas têm atenção fragmentária e regulação emocional ainda em desenvolvimento. Deixe-a observar de longe, participar parcialmente ou sair. Ofereça retorno sem pressão. Nessa idade, aprendizagem observacional é válida. Documente interesse e participe sem forçar particip participação direta.
Quanto tempo devo deixar na etapa de exploração livre antes de propor atividade dirigida?+
Observe sinais: se crianças ainda exploram ativamente, mantenha por 10 minutos. Se começam a se desinteressar (largam, saem, ficam caladas), introduza variação. Não há regra fixa; observe seu grupo. Crianças com menos experiência previa podem precisar de mais exploração; crianças experientes podem preferir transição mais rápida. Flexibilidade é chave.
Posso usar essa aula para trabalhar conceitos musicais como altura, timbre e ritmo com crianças bem pequenas?+
Sim, mas de forma intuitiva e não-formal. Não nomeie 'tecnicamente'. Diga: 'Escuta esse som agudo (caixa)' versus 'som grave (panela)' enquanto toca. Repita padrões simples para internalizarem ritmo. Use comparações corporais: 'Som alto faz a gente pular alto; som baixo faz a gente agachar.' A linguagem musical vem depois; agora, é experiência sensorial.




