
Barquinho de gelo: observando transformações na natureza
Crianças bem pequenas criam barquinhos com gelo e observam o derretimento, explorando mudanças de estado da matéria de forma sensorial.
Resumo rápido
| Ano escolar | Creche |
|---|---|
| Componente curricular | Ciências |
| Duração estimada | 30 minutos |
| Etapas da aula | 5 etapas |
| Código(s) BNCC | EI02ET01 · EI02ET02 · EI02ET03 |
Alinhamento Curricular (BNCC)
Unidade temática
Espaços tempos quantidades relações e transformações
Objeto de conhecimento
Exploração de transformações na natureza: mudança de estado físico (sólido para líquido) através da observação sensorial do derretimento do gelo
EI02ET01: Explorar e descrever o mundo em atividades de observação e experiência sensorial. EI02ET02: Observar, relatar e descrever incidentes do cotidiano e atividades da comunidade relacionadas a mudanças, transformações e ritmos da natureza. EI02ET03: Compartilhar, com outras crianças, situações de cuidado pessoal, higiene, alimentação, conforto e repouso.
Competências gerais da BNCC trabalhadas
Feito pela Equipe Escolas Disruptivas.
Conhecimentos prévios necessários
Crianças dessa faixa etária já reconhecem água em diferentes contextos (banho, chuva), têm contato com alimentos gelados e exploram objetos. Experiências prévias com observação sensorial (tocar, ver, escutar) são fundamentais para esta atividade.
Objetivos de aprendizagem
Proporcionar experiências sensoriais que estimulem a curiosidade e a observação de transformações naturais através da manipulação e observação do derretimento do gelo.
Explorar propriedades do gelo (dureza, frio, transparência) através de toque, visão e manipulação
Observar e descrever mudanças ocorridas no gelo ao longo do tempo (derretimento progressivo)
Estimular a linguagem e a expressão de sentimentos durante a experiência sensorial
Materiais necessários

Passo a passo da aula
Introdução — Apresentação do gelo e exploração inicial
5 minutosReúna as crianças em roda ou pequeno grupo. Apresente o gelo de forma gradual e intrigante: coloque um bloco transparente na sua mão e deixe as crianças observarem. Pergunte de forma simples: 'O que é isso?', 'Como está?' Convide-as a tocar com cuidado (demonstre primeiro) e descreva sensações junto com elas — 'Frio!', 'Duro!', 'Liso!'. Mostre que o gelo está molhando sua mão e deixe as crianças perceberem a água que escorre. Faça isso de forma descontraída e curiosa, sem pressão por respostas corretas. O objetivo é gerar interesse e familiaridade com o objeto antes da atividade prática.
Desenvolvimento 1 — Preparação e construção do barquinho
8 minutosDistribua um recipiente raso com água para cada criança ou pequeno grupo (2-3 crianças). Coloque um bloco ou cubos grandes de gelo em cada recipiente. Explique que vão construir um 'barquinho' juntos. Pergunte o que flutua na água e deixe as crianças explorarem. Demonstre como colocar o gelo com cuidado na água — ele vai flutuar naturalmente. Convide as crianças a tocar de novo, observar as bolhas que se formam no fundo, sentir o frio e o molhado. Se usarem corante alimentar, deixe-as adicionar algumas gotas na água para tornar a experiência visual mais interessante. Encoraje a fala espontânea: 'Olha! Está flutuando!', 'Que frio!'. Nessa etapa, a manipulação e o toque contínuo são essenciais para o engajamento.
Desenvolvimento 2 — Observação ativa do derretimento
12 minutosCom os barquinhos já prontos, convide as crianças a observarem o que vai acontecer nos próximos minutos. Explique de forma muito simples que o gelo é como uma roupa que pode se 'desmanchar' e virar água. Sente-se com elas ao redor dos recipientes e observe juntas. A cada 2-3 minutos, marque o tempo com uma ação simples (bata palma suavemente, toque uma sineta) para focar a atenção. Pergunte: 'O gelo está igual ou diferente de antes?', 'Vê a água ali?', 'Ainda está frio?'. Deixe que toquem novamente (com cuidado) e descriam o que mudou. Se houver uma criança menos interessada, convide-a a mexer com a colher, a pegar um pedacinho que se desprendeu ou a derramar um pouco de água morna no topo do gelo para acelerar o processo — isso resgata o engajamento. Elogie observações: 'Que legal, você viu que ficou menor!'. Essa é a etapa mais importante: assistir ao processo real mantém a curiosidade viva.
Desenvolvimento 3 — Experimentação com água morna
3 minutosPrepare previamente um recipiente com água morna (não quente) e um cubo de gelo ou uma bandeja com gelo. Sem deixar crianças tocarem na água morna diretamente, derrame cuidadosamente um pouco dessa água sobre o gelo enquanto as crianças observam. Elas verão o derretimento acelerado. Pergunte: 'O que aconteceu agora? Derreteu mais rápido?'. Relacione com experiências conhecidas delas — banho morno, café quente dos pais. Isso expande a compreensão de que a temperatura interfere na transformação, sem usar termos técnicos. Deixe que observem alguns segundos e depois volte para os barquinhos individuais que já estão derretendo naturalmente.
Fechamento — Reflexão e registro sensorial
2 minutosReúna as crianças novamente e convide-as a falar sobre o que viram. Nem todas falarão — tudo bem. Faça perguntas abertas: 'Como vocês se sentiram?', 'O que foi mais interessante?', 'Para onde foi o gelo?'. Elogie as contribuições orais e não-orais (apontar, sorrir, tocar). Se houver tempo, faça um registro simples no papel — desenho do que viram, marcas do gelo derretido, ou simplesmente deixe que as crianças passem a mão em uma toalha molhada (imitando o gelo molhado). Termine mencionando que gelo, água e outras coisas na natureza estão sempre mudando, e que elas acabaram de ser cientistas observando uma transformação real. Torne esse momento leve, celebrativo e sem cobrança.
Diferenciação e inclusão
Para crianças com menor interesse inicial, ofereça a colher ou varinha para mexer no gelo — a ação aumenta o engajamento. Para crianças que se assustam com o frio, permita que observem de uma distância um pouco maior ou que toquem com uma luva fina. Se houver criança com sensibilidade tátil reduzida, apresente o gelo com cores vibrantes (gelo com corante) para estimular a visão como porta de entrada. Crianças com mobilidade reduzida podem observar desde uma posição confortável e participar verbalizando o que veem; coloque o recipiente em altura acessível. Para crianças com dificuldades de fala, aceite apontamentos, expressões faciais e gestos como comunicação válida. Realize a atividade em pequenos grupos (máximo 4-5 crianças) para garantir observação próxima e toque seguro para todos, reduzindo ansiedade e permitindo ritmos próprios de exploração.
Como avaliar
A avaliação nesta etapa ocorre por observação direta e contínua, sem necessidade de provas formais. Note se a criança toca e explora o gelo (interesse sensorial), se descreve mudanças observadas (observação e linguagem — pode ser com palavras, apontos ou sons), se retorna várias vezes ao objeto (persistência na curiosidade) e se participa do diálogo coletivo de alguma forma. Registre observações breves em um caderno ou app de anotações: quem tocou, quem nomeou propriedades ('frio', 'molhado', 'duro'), quem se divertiu, quem pediu para repetir. Aceite respostas não-verbais como sinais válidos de aprendizagem. Não há 'erro' nesta atividade — toda exploração sensorial é ganho. O foco é no processo de curiosidade e observação, não em resposta correta. Converse brevemente com famílias após: 'Seu filho explorou o gelo, tocou e observou a água forming — está descobrindo como as coisas mudam na natureza'.
| Critério | O que observar |
|---|---|
| Exploração sensorial do gelo | Criança toca, manipula, segura ou observa atentamente o gelo, mostrando curiosidade através de gestos, toque ou expressão facial |
| Observação de mudanças | Criança comenta ou aponta diferenças no gelo ao longo do tempo (tamanho, textura, derretimento), verbalmente ou por gesto |
| Comunicação durante a experiência | Criança verbaliza sensações ou observações ('frio', 'molhado', 'água') ou responde a perguntas do professor com palavras, sons ou apontos |
| Interesse sustentado | Criança retorna várias vezes ao recipiente ou permanece observando por mais de 1-2 minutos, demonstrando envolvimento contínuo |
Atividade de extensão
Proponha levar gelo picado para casa em um potinho para que a criança continue observando o derretimento com a família, conversando sobre as mudanças. Outra extensão: congele água com objetos pequenos dentro (bolinhas de papel, pétalas, bits de papel colorido) para criar 'barquinhos surpresa' em futuras exploração, aumentando o mistério e a curiosidade. Crianças podem também desenhar ou colar papéis molhados para 'contar' a história do derretimento.
Conexões interdisciplinares
Esta atividade conecta-se naturalmente com o campo 'Corpo, Gestos e Movimentos' (EI02CG01-EI02CG03), pois as crianças exploram o mundo através de ações corporais — tocar, agarrar, soltar, movimentar-se ao redor. Também dialoga com 'Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação' (EI02EF01-EI02EF09), já que a descrição sensorial expande o vocabulário (frio, duro, molhado, água) e estimula narrativas ('O gelo virou água'). Na dimensão artística, pode integrar-se a 'Traços, Sons, Cores e Formas' (EI02TS01-EI02TS03), se adicionar corantes, sons de água e exploração da cor do gelo com luz. Pedagogicamente, prepara o terreno para futuras aprendizagens de ciências sobre estados da matéria (Educação Fundamental), ecologia da água e ciclos naturais, construindo desde cedo uma postura investigativa e respeitosa com o mundo natural.
Para saber mais
Crianças bem pequenas aprendem pela experiência sensorial direta e manipulação de objetos. Oferecer a manipulação de gelo — um material que muda rapidamente e produz estímulos táteis intensos — cria uma 'ponte' entre curiosidade inata e compreensão de transformações. Quando a criança toca o gelo frio, sente a água que corre, vê o tamanho diminuindo e experimenta isso ao longo de minutos, ela constrói conceitos abstratos (mudança de estado) de forma concreta e memorável. Essa abordagem alinha-se ao princípio construtivista de que o conhecimento científico emerge da ação e observação do aprendiz, não de explicações prontas. Para essa faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses), o processo é mais importante que o resultado — estar junto, observar, tocar e compartilhar a experiência com um adulto atencioso é o que consolida a aprendizagem e alimenta a curiosidade científica duradoura.
Referências: BNCC (Base Nacional Comum Curricular, 2018) — Campo de Experiência 'Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações' · Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil (DCNEI, 2010)
Perguntas frequentes sobre esta aula
Quanto tempo antes da aula devo preparar o gelo?+
Prepare o gelo no congelador da escola no dia anterior ou duas horas antes da aula. Se usar bandejas pequenas, o gelo congela em 4-6 horas. Mantenha tudo em freezer ou caixa térmica até o momento da atividade. Não congele com muito antecedimento (mais de 24h) para evitar que fique muito duro ou frágil.
E se alguma criança tiver frio extremo ao tocar no gelo?+
Nem todas as crianças toleram bem o frio intenso. Ofereça luvas finas, meias ou simplesmente permita que observem sem tocar diretamente. Deixe o gelo alguns minutos em temperatura ambiente para amolecer a superfície. Sempre coloque uma toalha morna próxima para aquecimento rápido. Respeite o limite de cada criança — observação é válida tanto quanto manipulação.
Posso fazer essa atividade ao ar livre em dia quente?+
Sim, e até é recomendável em dias quentes! O derretimento será mais rápido, o que intensifica a observação. Use recipientes rasas para melhor visibilidade, deixe as crianças com camisetas de manga curta e tenha toalhas à mão. Realize no início da manhã ou final da tarde para evitar sol intenso direto sobre as crianças.
Como adaptar se não tiver acesso a freezer na escola?+
Peça gelo para padaria, supermercado ou sorveteria no dia anterior. Outra opção: congele água em casa e leve em caixa térmica. Se a comunidade tiver geladeira compartilhada, articule com gestão. Em último caso, pode-se usar água muito gelada com sal para simular propriedades do gelo, mas o gelo real oferece melhor experiência sensorial.
Preciso fazer registro fotográfico ou caderno de observação?+
Não é obrigatório, mas ajuda. Tire uma foto do processo (início e fim) para comunicar à família. Um caderno simples com anotações breves ('Maria tocou, disse frio', 'João observou 15min') serve como documentação. Priorize estar presente com as crianças durante a aula — registros devem ser complementos, não distrações do professor.
Planos de aula relacionados

Arte · Creche
Ajudando a Colocar a Roupinha do Dia
3 min de leitura
Ciências · Creche
Um Cesto Cheio de Gostos Diferentes
3 min de leitura
Educação Física · Creche
O Que Fazemos Antes e Depois da Refeição
3 min de leitura
Língua Portuguesa · Creche
